Como preparar um arquivo CAD para vincular no REVIT

Em um mundo perfeito, o CAD já estaria extinguido. No entanto, como esse mundo ainda está um pouco distante e nem sempre trabalhamos em uma equipe de trabalho 100% BIM, é necessário estar preparado para integrar arquivos CAD recebidos. Outra coisa que acontece, é que, pela interface de linkagem de arquivos do Revit ser bem intuitiva, as pessoas costumam linkar os arquivos sem muito preparo do que estão fazendo.

A correta execução de alguns processos no AutoCAD é primordial:

1 – PREPARE SEUS ARQUIVOS NO CAD

1 – Integre XRefs: Muitas vezes linkar arquivos CAD com XRefs podem trazer uma dor de cabeça no Revit. Portanto, use o menu do xref e dê bind nos arquivos referenciados no CAD.

2 – Purge: O purge remove layers não utilizados, blocos e etc

3 – Flatten: Se caso esteja carregando plantas ou elementos 2D, o comando é essencial para evitar problemas. Desconsidere esse procedimento se está carregando objetos 3D,  curvas de nível, nuvem de pontos, etc.

4 – Setbylayer: Se por ventura os arquivos CAD serem utilizados no Revit como forma de representar algo, não apenas sendo uma referência de modelagem, pode ser que haja um problema caso as linhas no CAD estiverem utilizando cores independentes do layer. Usando esse comando esse problema será resolvido.

5 – Congele layers não utilizados: Isso irá ajudar na seleção dos layers corretos

6 – Mova o desenho no CAD para a origem: Não é uma via de regra, no entanto, ajuda muito a posicionar o arquivo no Revit. Para fazer isso basta selecionar o desenho pegando como referência a ponta inferior esquerda, e utilizar o comando “Move” e depois “0,0” (zero, zero).

7 – Salve uma cópia: Processos destrutivos impossibilitam de voltar atrás de uma tomada de decisão. Então sempre salve seus arquivos CAD preparados para o Revit em um local diferente mantendo assim, o arquivo CAD original.

2 – SEMPRE USE O “VÍNCULO DE CAD” E NÃO “IMPORTAR CAD

Com o arquivo CAD pronto, é hora de carregá-lo no Revit. Apesar de no menu “Inserir” existir duas formas de inserir um arquivo CAD, evite utilizar a opção “Importar CAD”, já que, além de deixar o projeto no Revit muito mais pesado, pode ser que hajam elementos que poderão dar trabalho de serem removidos. Além disso, a opção de “Vínculo de CAD” permite recarregar o arquivo sempre que preciso, o que torna o processo menos destrutivo e flexibiliza a alteração destes.

3 – USE AS SEGUINTES CONFIGURAÇÕES PARA LINKAR ARQUIVOS CAD

Apenas a vista atual: se essa opção estiver desmarcada, o arquivo DWG irá aparecer em todas as vistas do modelo. Na maioria dos casos, é melhor importar para uma determinada vista apenas.

Cores: Setando a configuração de cores para preto e branco garante maior visibilidade uma vez que o ambiente padrão da interface do Revit tem fundo claro e a interface padrão do AutoCAD tem fundo escuro.

Layers: Por padrão, todos os layers do CAD são carregados. No entanto, em geral não há razão para deixar layers invisíveis no CAD serem carregados no Revit.

Unidades de importação: A imagem mostra a opção “centímetro” selecionada, no entanto, a ideia é verificar a unidade de medidas sendo utilizada no arquivo CAD para então colocar nesse campo. A opção padrão do Revit, “autodetectar” nem sempre funciona, então é melhor evitá-la.

4 – UTILIZE A FERRAMENTA DE CONSULTA

Ao selecionar um arquivo DWG dentro do modelo do Revit é possível utilizar a ferramenta de Consulta. Ao clicar em uma linha do DWG novamente, é possível verificar informações sobre o layer que essa linha pertence no CAD além de possibilitar apagá-la ou esconde-la da vista.

5 – DIFERENCIE AS LINHAS DO DWG DAS DO MODELO REVIT

Muitas vezes as linhas do CAD se confundem com os desenhos do Revit. Uma forma de resolver esse tipo de problema é criando um padrão de diferenciamento das linhas do DWG. Para isso, basta acessar o menu de “Sobreposição de Visibilidade” pelo comando “VV” e na aba “Categorias Importadas”, selecionar qual DWG irá sofrer alterações e clicar em “Linhas”. Após feito isso, basta escolher a espessura de linha, a cor e o padrão de preenchimento. Para linhas inteiras, escolha a opção “Sólido”.

Tudo que você precisa saber sobre parâmetros

Para que haja uma boa padronização de projetos dentro de um escritório é necessário catalogar cada atributo que um projeto possui em relação aos demais. Eventualmente, alguns padrões começam a ser percebidos que são comuns a mais de um projeto. Desse modo, se o intuito é atribuir informação à modelagem, parâmetros são indispensáveis para a preparação de um workflow orientado nos preceitos do BIM.

Antes mesmo de falar em Revit, é necessário entender como desenvolver parâmetros que irão guiar toda a modelagem da informação do projeto a ser gerenciado. Se manipulados de forma correta, esses parâmetros podem ser utilizados como dados a serem extraídos para aplicações mais robustas como COBie (Construction Operations Building Information Exchange) ou integrações com FM (Facility Management). Achou que falei grego, é? O ndBIM possui um bom artigo que explica melhor sobre esses dois termos. Se ficou curioso mesmo, então recomendo essa apresentação da buildingSmart sobre COBie e suas aplicabilidades. Minha dica é: deixe isso para ler isso depois.

Parâmetros no Revit

De volta ao foco, tentarei ser um pouco mais pragmático voltando para o Revit com a seguinte definição: parâmetros são células vazias que podem armazenar qualquer tipo de informação. No Revit, esses parâmetros são agregados a todo tipo de família, como portas, janelas, mobiliário, tags de anotação, vistas, etc. O conjunto desses parâmetros agregados a mais de um elemento permite gerar quantitativos das mais variadas formas. No Revit, temos dois tipos de parâmetros possíveis: Tipo e Instância. Para exemplificar os dois, tomaremos como exemplo uma família de janela.

Parâmetro “Tipo”

Num parâmetro “Tipo” típico de uma janela, temos seu dimensionamento. Portanto, em geral, teremos largura e altura como parâmetros “tipo” nativos do Revit. Quer dizer que se eu tenho portas do tipo “50x100cm” em meu projeto e fizer alterações em sua largura, todas as janelas do tipo “50cmx100cm” sofrerão modificações. De maneira análoga, as tags de portas de mesmo “Tipo” deverão ser iguais para um futuro levantamento de quantitativos.

Parâmetro “Instância”

Diferentemente do parâmetro “Tipo”, no parâmetro “Instância” teremos algo que é específico daquela janela em questão. Por exemplo, podemos ter diversas janelas do tipo “50cmx100cm” no projeto, no entanto, cada uma com uma altura de peitoril diferente.

Parâmetros de Projeto x Parâmetros Compartilhados

A diferença é bem simples entre Parâmetros de Projeto e Parâmetros Compartilhados. Parâmetros de Projeto são exclusivos a um projeto em específico no Revit. Já os parâmetros Compartilhados podem tramitar entre vários projetos, possibilitando uma perpetuação da informação de forma padronizada.

Na prática, Parâmetros Compartilhados podem parecer mais burocráticos de serem usados, e, na verdade, são mesmo. Para começar, todos os dados de Parâmetros Compartilhados são armazenados em um arquivo separado, em formato TXT. Além disso, é possível criar uma hierarquia para classificar cada parâmetro em grupos.

A criação de Parâmetros Compartilhados deve ser feita com cuidado, uma vez que é necessário especificar o formato de armazenagem de dados. Uma boa prática em nomear parâmetros criados é colocar um acrônimo na frente. Por exemplo, 5POR3_Fornecedor.

http://www.bim-manager.net/2013/08/revit-parameters-part-1.html

Automatizando a manipulação de Parâmetros Compartilhados

Talvez a parte mais chata de tudo isso, é ter que ficar assimilando cada parâmetro compartilhado em seu devido lugar. (Explicar aqui ou falar disso antes desse título)

Extendendo os Parâmetros Compartilhados

Apesar de ser uma funcionalidade bem simples, existem inúmeras tentativas de se criar uma padronização global no uso desses parâmetros, já que isso permitiria maior integração e fácil interpretação de projetos de terceiros.

NBS BIM Object Shared Parameters

Talvez a tentativa de criar um padrão de Parâmetros Compartilhados mais consistente

Notem que eu não me equivoquei ao destacar que é uma tentativa na NBS, já que existem aqueles que não concordam muito com o modelo. Antony McPhee, do blog PracticalBim, aponta algumas falhas nesse padrão, mas também dá algumas soluções.

OpenRFA

O OpenRFA é uma rede de crowdsourcing de Parâmetros Compartilhados.

Extra: BimObject

Trata-se de um extra pois fica mais de curiosidade do que para uso em geral. O BimObject possui guidelines básicas para a modelagem de novas famílias a serem adicionadas a seu acervo. Mais um motivo para confiar nas famílias que são disponibilizadas no site deles.

Criando o próprio padrão de Parâmetros Compartilhados

Apesar de ter listado algumas tentativas de padronizar os parâmetros, o site pumphouseBIM aponta que as soluções disponibilizadas estão longe de serem perfeitas e encoraja os BIM Managers a desenvolverem seu próprio padrão. Paradoxal, não?